quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Medo - Parte 1

Algumas vezes alguém te machuca tão feio que você não sente mais nada. 
Até alguma coisa fazer você sentir de novo.
E tudo acaba voltando.
Cada palavra.
Cada ferida.
Cada momento.
Como você poderia entender de onde eu vim?
Mesmo que você pergunte, mesmo que você escute,você realmente não escuta, vê ou sente.
Você não lembra da minnha história.
Você não andou pelos meus o caminhos.
Você não viu o que eu já ví.

Meu passado me define.
Essa sou eu.
Eu sou aquela que ninguém vê, ninguém ouve, ninguém quer.
Isso é o que eu sou.
Se é que eu sou alguma coisa.
Ás vezes parece que o que me mantém pra cima, me puxa pra baixo.
É um mundo virado de cabeça pra baixo, onde a ordem desapareceu.
Nada é como deveria ser.
E uma tristeza profunda enche minha alma.
Cada vez mais fundo, me sentia dentro de mim mesma.
E nada conseguia me tirar.
Presa nas tragédias da minha vida.
Perdia nos lamentos da minha alma.
Incapaz de ver a luz.
Incapaz de ver o sol nascer.
De sentir.
De ter esperança.
De sonhar.
Descobrir que meus dias mais escuros continuam vindo.
As noites mais negras da minha alma nunca pararam.
Parece que sempre é noite com pesadelos , e nunca chega de manhã.
E talvez você se pergunte "Por que?', mas geralmente você não tenta pensar nisso, e tenta passar por isso, tenta sobreviver.
Todas as outras coisas que se parecem com nada comparadas a espera de que as coisas importantes irão voltar.
Como desejar poder ver sua mãe sorrindo de novo e poder ouvir ela cantando sua canção favorita que sempre alcamou as coisas quando tudo ficava difícil.
Ou se você não puder ter ela de volta, ao menos puder cuidar do seu irmão pequeno porque sabe que ele precisa de você que ele estará muito assustado sozinho.
E quem irá segurar na mão dele e sussurar que tudo ficará bem com ele?
E quem vai sussurar isso pra mim?
Eu sei que preciso de ajuda, sou dependente, desesperada, mas o que acontece quando aqueles que você mais precisa ameaçam sua existência?
Eu ouvi um monte de promessas e todas se parecem iguais.
Mas se você pressionar bastante, cedo ou tarde todas elas se mostram vazias.
O sol nasce toda manhã, mas você sabe onde?
E, cada lugar em um local diferente.
É difícil achar o Leste quando você vive se mudando, mas pelo menos o Sol vem.
Ele sempre vem.
Comecei a depender dissso.
E aos poucos, devagarzinho as estações mudavam dentro de mim e dessa vez parecia que talvez o mundo não seria arrancado debaixo de mim novamente.
Com os pés seguros, raízes começaram a crescer.
Pequenos brotos de esperança para mim.
Devagarzinho tentando confiar nessa nova vida.
Eu queria que alguém pudesse me dizer que tudo ficaria bem.
Que um dia, talvez fique.
Vou me sentir normal.
Que nem sempre estarei sozinha.
Que terei uma mãe para me abraçar e ser forte para mim, porque tavez não consiga fazer isso sozinha.
Esse é meu passado, meu histórico, minha história não é minha culpa.
Não é por minha causa.
E não precisa ser o que define o meu futuro.
Eu posso ser amada.
Eu mereço cuidados.
E aquele pequeno lampejo de luz, faz toda diferença.
O lampejo de luz que me dá esperança de que um dia meu verão irá chegar.

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